No Dia da Consciência Negra, lembrado nesta sexta-feira, 20,  é preciso chamar à reflexão uma sociedade que naturalizou a violência racial

A violência no Brasil atinge principalmente jovens negros e pobres. Há uma grande seletividade racial dos homicídios no país comprovada pelo Mapa da Violência de 2015, que, entre outros dados, mostra que em 2012 as armas de fogo vitimaram duas vezes e meia mais negros do que brancos. Portanto, a maioria dos homicídios nesse período foi de jovens, negros e do sexo masculino.

Nesse contexto de violência, que se soma a um cenário de encarceramento e exclusão social, o diretor da Fenapsi Marcelo Tourinho explica que é preciso lutar por políticas de reparação que ponham fim à seletividade racial dos homicídios e encarceramentos, lutar pela ampliação das políticas afirmativas e se contrapor à cultura de violência e ao racismo. Portanto, é importante relembrar que o dia da Consciência Negra deve ser todos os dias.

O encarceramento brasileiro atinge especialmente jovens negros, autores de tráfico de drogas e/ou crimes contra o patrimônio e que não completaram o ensino fundamental. O número de mulheres presas aumentou 111% nos últimos sete anos. Grande parte desse avanço se deve à aprovação, em 2006, da nova Lei de Drogas, que aumenta desproporcionalmente as penas mínimas de crimes relacionados ao comércio de substâncias ilícitas.

O Brasil é um dos países que mais encarceram jovens negros e o 1º entre os países da América Latina. Marcelo Tourinho acrescenta que, mesmo com essas altas taxas, a violência no país não diminuiu e a realidade das mulheres em situação de cárcere é ainda mais severa, pois as políticas públicas para os presídios, que já são limitadas, não consideram as especificidades femininas.

Vulnerabilidade

O racismo no Brasil é estruturante das relações raciais e do Capitalismo. Há racismo nas instituições, no ambiente urbano e rural, nas escolas e no trabalho. O diretor da Fenapsi Marcelo Tourinho explica que essa situação é fruto das marcas da escravidão e que a população negra encontra-se em situação de vulnerabilidade social e econômica e ocupando os piores postos de trabalho. Ela está sub-representada nos meios de comunicação e nos livros de história. Essas são facetas do racismo que aflige o povo negro.

“Esses fatos refletem de maneira muito dura na vida da mulher negra. A vulnerabilidade socioeconômica é reforçada pelo racismo e endossada pelo machismo, colocando a mulher afro-brasileira nas piores condições de trabalho e nas piores condições de ascensão social. A violência contra a mulher negra é evidenciada em dados do Mapa da Violência de 2015 que apontam que as mulheres negras são maioria nos casos de vítimas da violência doméstica. O que significa dizer, por exemplo, que em 2010, morreram 48% mais mulheres negras do que mulheres brancas vítimas de violência doméstica”, disse.