Diversos atos acontecem em várias partes do Brasil com a participação de psicólogas e psicólogos e de suas entidades representativas

 

A Fenapsi apoia os diversos movimentos que acontecem em todo o Brasil repudiando a nomeação feita pelo ministro da Saúde, Marcelo Castro (PMDB), do médico psiquiatra Valencius Wurch Duarte Filho para a Coordenação Geral de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas. As entidades militantes na Saúde Mental alertam que a medida representa um retrocesso na gestão da Saúde Mental no Brasil e na Reforma Psiquiátrica com a consequente volta dos manicômios. O novo coordenador foi diretor por 10 anos do maior manicômio da América Latina, a Casa de Saúde Dr. Eiras de Paracambi, no Rio de Janeiro.

 

O apoio da Fenapsi, que já divulgou nota de repúdio à nomeação, também vai para os militantes da luta antimanicomial, usuários e funcionários do sistema público de Saúde Mental que, no dia 15 de dezembro, ocuparam a Coordenação Geral de Saúde Mental Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde, em Brasília. O objetivo do grupo é pressionar o ministro para que reverta a nomeação de Valencius.

 

Atos

 

Diversos movimentos acontecem em várias partes do Brasil com a participação de psicólogas e psicólogos e de suas entidades representativas, como os sindicatos locais. A vice-presidenta da Fenapsi, Shielene Queiroz, participou nesta sexta-feira, 18, do anúncio do fechamento de mais uma unidade hospitalar psiquiátrica do Estado da Paraíba, o Sanatório Clifford, que faz parte do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira.

 

A Secretaria de Estado da Saúde paraibana assumiu o compromisso com a reforma psiquiátrica brasileira. Há um esforço coletivo para garantir aos usuários uma rede substitutiva regionalizada, que possibilite o cuidado territorial e em liberdade.

 

Em São Paulo uma manifestação foi realizada na sexta-feira, 18, na avenida 9 de Julho, em prol da Luta Antimanicomial e pela saída de Valencius. No mesmo dia uma audiência pública sobre saúde mental foi realizada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) após uma caminhada na Cinelândia. Instituições e movimentos estiveram presentes dizendo não ao retrocesso na reforma psiquiátrica e à nomeação de Valencius Wurch.

 

Em Maceió, Alagoas, também nesta sexta, durante a Inauguração da Casa Maternal Santa Mônica, em que estava presente o ministro da Saúde, o movimento dos trabalhadores de Saúde Mental de Alagoas esteve presente para dizer não ao desmonte da Reforma Psiquiátrica no Brasil

 

Em Brasília, além da ocupação no Ministério da Saúde, houve um cortejo com maracatu nesta sexta-feira, 18, em frente ao Ministério da Saúde. O movimento Caliandra e o grupo Tambores do Paranoá mostraram como se faz saúde mental fora dos hospitais psiquiátricos.

 

Em Teresina, no Piauí, trabalhadores de Saúde Mental, usuários da Rede de Assistência Psicossocial (RAPS) e seus familiares, representados por diversas organizações teresinenses, realizaram na quinta-feira, 17, uma mobilização em prol da luta antimanicomial no Estado e contra a nomeação de Valencius Duarte Filho para a Coordenação Nacional de Saúde Mental. O ministro da Saúde, Marcelo Castro (PMDB) é do Piauí.

 

Em Vitória, capital do Espírito Santo, houve mobilização no dia 14 de dezembro, em frente à Assembleia Legislativa. Também aconteceram atos em Curitiba (PR), Fortaleza (CE), e Rio Branco (AC).

 

CNS

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) aprovou uma recomendação ao Ministério da Saúde para que seja mantida a implementação e investimento na RAPS. O documento aprovado pelo Pleno da Entidade recomenda também o compromisso do Governo Federal com a manutenção e continuidade da Política Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas dentro dos princípios estabelecidos e ratificados pelas deliberações da 15ª Conferência Nacional de Saúde, no Relatório Final e Moções da XVIII Reunião do Colegiado de Coordenadores de Saúde Mental e as deliberações das Conferências Nacionais de Saúde Mental.

 

O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) repudiou a nomeação para a Coordenação Nacional de Saúde Mental de Valencius Wurch que sempre se posicionou contra o modelo de Atenção Psicossocial defendido pela Reforma Psiquiátrica e contra a Luta Anti Manicomial sendo contrário aos avanços implementados até o momento pela Reforma Psiquiátrica Brasileira.