De janeiro a junho deste ano houve 123 casos de assassinatos de pessoas LGBT no Brasil, em ações motivadas por homofobia. No ano passado, há registros de 319 mortes

A data faz alusão aos protestos e a rebelião de Stonewall, em Nova Iorque, em 1969, que marcaram o começo da mobilização que transformou a opressão aos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros) em movimentos diversificados de orgulho, resistência e luta por direitos.

Estes movimentos se somam a todos os que lutam no Brasil e no mundo pela ampliação de direitos, das liberdades e da democracia.

Passados quase 50 anos dos protestos de Nova Iorque, a consonância entre a hegemonia neoliberal e o neoconservadorismo trouxeram para ao século XXI o acirramento da intolerância, da negação de direitos e de retrocesso nos instrumentos democráticos arduamente construídos ao longo de décadas de lutas da classe trabalhadora.

Vivemos uma escalada de violência fascista que nutre a vilania e o ódio capaz de produzir o horror, como foi o caso da boate Pulse, em Orlando, onde foram assinadas 49 pessoas no dia 12 de junho deste ano. Na mesma semana, uma pequena cidade do sertão da Bahia se mobilizou repudiando o assassinato, com extrema crueldade, de dois professores homossexuais.

De janeiro a junho deste ano houve 16 casos de assassinatos de pessoas LGBT na Bahia e 123 no Brasil, em ações motivadas por homofobia, no ano passado, há registros de 319 mortes por homofobia - ou um crime de ódio a cada 27 horas.

O Brasil continua sendo o país que mais mata LGBTs no mundo, por não ter uma lei que penalize e tipifique crimes de ódio de cunho homofóbico, abrindo caminho para a propagação criminosa de parlamentares neoconservadores e do fundamentalismo religioso.

Portanto, têm responsabilidade pelos crimes com motivação homofóbica, todos os governos e instituições jurídicas e parlamentares, que por ação ou omissão, não cumprem seu papel na garantia de direitos dessa população.

Crimes sobre os quais muitos são responsáveis ao reverberarem ideologia neoconservadora, de intolerância, ódio e discriminação contra a comunidade LGBT.

Vivemos um grande retrocesso no Brasil com um golpe de Estado em curso, se alastrando e destruindo direitos econômicos e sociais e as garantias democráticas que os movimentos sindical, populare as forças sociais progressistas levaram décadas para construir, desde a derrota da ditadura militar.

Esse golpe é alicerçado pela criação de um ambiente de restauração econômica neoliberal, que combinada com o avanço da ideologia neoconservadora, destrói não somente as conquistas da classe trabalhadora, mas a vida e os direitos de milhares de pessoas em decorrência da intolerância de gênero, raça e orientação sexual.

A Fenapsi e a CUT reafirmam o seu compromisso com a luta cotidiana pela construção de uma sociedade democrática, socialista e de respeito à diversidade e aos direitos humanos.

Não à intolerância, ao ódio e à LGBTfobia!

Fonte: CUT - com edição da Ascom da Fenapsi